Fica quietinha, minha linda, não te quero acordar.
Eu poderia te levar pro mundo dos meus sonhos. Mas no mundo dos meus sonhos eu não mando, meu amor. No mundo dos meus sonhos eu nunca estou a salvo.
Eu não quero te levar para onde eu não possa cuidar de você.
Minha menina... Dorme serena, quietinha, aqui, no mundo consciente, onde só os loucos podem ver os sonhos em carne e osso, assim como eu posso ver você.
Minha loucura, minha insanidade, meus devaneios não vão te machucar. Eu nunca te machucaria.
Os meus sonhos vão.
Lá, naquela terra distante que eu costumo demorar horas inteiras e milhares de quilômetros rodados entre os meus lençóis brancos, moram os meus monstros. Moram meus medos. Moram outras iguais a mim, outras “eu” cujo poder de controlar eu já não possuo mais.
Então fica assim, aqui comigo. Dorme quietinha que eu velo por seu sono.
Eu tenho certeza que eu quase posso te tocar... Mas não vou. Eu não vou tocar você.
Te acordaria... E eu não te quero acordada. Te quero tranquila... Num mundo que eu posso proteger. Protejo você e o mundo dos seus sonhos, já que eu não posso te levar pro meu.
Não estou aí contigo... Eu sei que não... Mas você está aqui comigo. Você está no mundo dos meus sonhos conscientemente sonhados. E se você está aqui, está tudo bem.
Não sei que horas são. Não sei há quanto tempo estamos assim: você dormindo e eu encolhida contra a parede, só pra te ver dormir.
Mas eu não me importo.
Nada mais me importa... As coisas não fazem muito sentido também. Nada parece valer a pena a não ser essa luta silenciosa que eu travo através de suspiros usados como armas contra um ou outro dragão mais atrevido que insiste em se enfiar no mar alourado formado por seus cabelos.
Dorme, princesa. Minha loucura não vai te machucar.
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