terça-feira, 3 de abril de 2012 0 comentários

Musa de chuveiro

Quero ver teu corpo mole, frágil, entregue às investidas dos meus toques. Quero te ouvir ofegando, em meu ouvido, sussurrando por mais mãos e mais saliva em tua pele. Quero me afundar no teu corpo, para te sentir morrer nos meus dedos. Quero te ter exaurida para namorar seus olhos e repousar no teu sorriso.
Meu mundo arde em um desejo sem fim: As pernas bambas, o coração disparado. Os mamilos rijos. E a respiração entrecortada é o autocontrole que me abandonou enquanto ainda navegava em pensamentos.
Mas, aqui, está você: me acordando dos meus delírios soltando beijos no ar e soprando meu pescoço. Minha visão fica turva e tenho a impressão que nunca te vi de verdade, tem sempre essa névoa que te encobre e me tira os sentidos, o fôlego e a saliva da boca quando vejo teus cabelos caindo pelos ombros e tua pele, coberta pelo nada, que, eu queria que fosse o meu corpo.
Mas enquanto não é meu corpo que cobre tua pele, te passo a toalha, olho pro lado tentando não te olhar tão diretamente e você puxa assunto como se fosse possível me comportar com naturalidade enquanto você passa óleo no corpo quase em câmera lenta, pra depois me pedir pra abotoar seu sutiã.
Aqui está você rindo de mim por que tenho certeza que sabe, que sente o que causa em mim. É uma vergonha que eu simplesmente não consiga me controlar.
Esses dias eu não tenho passado de uma vira lata envergonhada...
terça-feira, 13 de março de 2012 0 comentários
Foda é quando você descobre que aquelas mentiras sinceras eram mesmo mentiras...
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 0 comentários
É simples
Na verdade quem complica sou eu.
É só uma respiração.
Não deveria ser difícil trazer o ar.

xanax ou não xanax? Eis a questão.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 0 comentários

Abstinência

Tem a ver com essa coisa de desintoxicação.
Só pode ser...
Essa boca seca
Essa dor no estomago
Isso que faz meus pensamentos terem somente uma direção...
Era um vicio!
Tenho certeza que só pode ser um vício!
E eu to aqui fingindo ser forte sentindo a garganta apertar.
Não pagando a conta do celular pra não poder ligar...
Entrando no facebook só com supervisão de um adulto responsável.
Eu to sentindo dor.
A tremedeira não quer parar.
E não encontro um sentido...
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012 0 comentários

(in)Pertencer

A velha sensação de não pertencer sentida de um jeito novo.
Um jeito novo e mais cruel, mais profundo, mais lúcido.
Eu olho para os lados, desesperada, procurando uma maneira de poder deixar de enxergar, de poder fechar os olhos para o reflexo que eu vejo sempre à minha frente e que para mim é apenas um rascunho mal feito do que sou.
Mas não. Eu não consigo fechar os olhos.
Não. Não é um rascunho mal feito, o que eu vejo.
E os olhos desfigurados e sem brilho algum que me encaram de volta toda vez que eu insisto em firmar meus olhos no maldito espelho me falam de um fracasso que eu nunca quis ser. De um fracasso que eu nunca vou saber ser.
É então que o ser e o querer ser se confundem e eu descubro que tudo o que antes eu chamava de verdade está em ruínas.
O mundo girou, os anos se passaram e a inércia me cegou.
A verdade é que eu estive tanto tempo ignorando o movimento ao meu redor que eu simplesmente não consigo enxergar onde foi que eu errei o passo.
Reaprender a dançar agora é difícil, é complicado... E quando eu percebo que eu já não tenho uma companhia de dança, chega a ser doloroso de uma maneira quase fatal.
Vocês lutam tanto, exigem tanto pelo que costumam chamar de liberdade... Mas a única coisa que eu consigo pensar é que a liberdade plena e sem adendos machuca demais.
Correntes são necessárias. Gaiolas são necessárias. Ninhos e manadas, que nada mais são que grilhões disfarçados, são necessários.
Era tudo muito mais fácil quando eu só brincava de descobrir quem sou.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 0 comentários

Feliz aniversário meu amor!

Tenho certeza de que nesse momento 
a imaginação voa, 
delirante,
sobrevoa os seus próximos vinte e dois anos de sua vida!

Tenho certeza de que o futuro
chama, intriga, instiga, proclama,
brilha e transborda dos seus olhinhos.

Posso apostar
que pra você não faltam sonhos.
que sua imaginação já viu cenas,
já arrumou o set,
já ativou a produção,
e em seu coração o futuro está roteirizado.

Sua vontade é 
soltar os pesos do balão.
Deixá-lo livre infinito a dentro.
A vontade é de correr,
chegar logo,
ver o sonho de perto,
real.
O futuro...
O mais rápido possível!

Não existe nada mais poderoso do que a 
imaginação da gente.
Sonhe muito!
Por incrível que pareça, realizar não é o mais
difícil,
difícil é manter o sonho vivo.
Nunca esqueça disso, a vida é traiçoeira,
dá cambalhota na gente.
Agarre seu sonho!
Ele é real
e o resto, sim,
ilusão.
terça-feira, 8 de novembro de 2011 0 comentários

Questões da humanidade

Ela tinha crescido em meio à novela das oito e aos contos machadianos e rodriguianos.
Ah, Nelson Rodrigues: sexo, amor, traição e tragédia. Quanta tragédia. A dor e a morte anunciadas por questões amorosas.
De repente chega Machado e sua antológica Capitu. Aquela, dos olhos de ressaca. Afinal, ela traiu ou não Bentinho?
Questões da humanidade.
E Luisa então... Pobre burguesa encantada com as peripécias de seu primo Basílio. Traição, traição, traição. Nas novelas, nos filmes.
E aquele que vendeu a mulher por 1 milhão de dólares?
Ambição.
                              Questões da humanidade.
Nosso Vinicius se casou nove vezes e diz que amou a todas intensamente.
             Doce malandro.
“Que não seja imortal, posto que é chama; mas que seja infinito enquanto dure.”               
                                                           Poeta.

Hoje, ela respira fundo. Precisa pensar em poesia antes de cair no abismo que o arrebatamento encerra. Um moço diz que o sentimento é algo como posse. Isso explica. Quanto de posse há na humanidade. Boa ou ruim está intrínseca na maioria dos mortais. Posse caminha ao lado dos outros sentimentos, e ela pensa, pensa, pensa... Termina de ajeitar o cabelo, passa rímel e sai da frente do espelho. Tem a vida inteira pra tentar entender as questões da humanidade.
 
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