quinta-feira, 5 de janeiro de 2012 0 comentários

(in)Pertencer

A velha sensação de não pertencer sentida de um jeito novo.
Um jeito novo e mais cruel, mais profundo, mais lúcido.
Eu olho para os lados, desesperada, procurando uma maneira de poder deixar de enxergar, de poder fechar os olhos para o reflexo que eu vejo sempre à minha frente e que para mim é apenas um rascunho mal feito do que sou.
Mas não. Eu não consigo fechar os olhos.
Não. Não é um rascunho mal feito, o que eu vejo.
E os olhos desfigurados e sem brilho algum que me encaram de volta toda vez que eu insisto em firmar meus olhos no maldito espelho me falam de um fracasso que eu nunca quis ser. De um fracasso que eu nunca vou saber ser.
É então que o ser e o querer ser se confundem e eu descubro que tudo o que antes eu chamava de verdade está em ruínas.
O mundo girou, os anos se passaram e a inércia me cegou.
A verdade é que eu estive tanto tempo ignorando o movimento ao meu redor que eu simplesmente não consigo enxergar onde foi que eu errei o passo.
Reaprender a dançar agora é difícil, é complicado... E quando eu percebo que eu já não tenho uma companhia de dança, chega a ser doloroso de uma maneira quase fatal.
Vocês lutam tanto, exigem tanto pelo que costumam chamar de liberdade... Mas a única coisa que eu consigo pensar é que a liberdade plena e sem adendos machuca demais.
Correntes são necessárias. Gaiolas são necessárias. Ninhos e manadas, que nada mais são que grilhões disfarçados, são necessários.
Era tudo muito mais fácil quando eu só brincava de descobrir quem sou.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 0 comentários

Feliz aniversário meu amor!

Tenho certeza de que nesse momento 
a imaginação voa, 
delirante,
sobrevoa os seus próximos vinte e dois anos de sua vida!

Tenho certeza de que o futuro
chama, intriga, instiga, proclama,
brilha e transborda dos seus olhinhos.

Posso apostar
que pra você não faltam sonhos.
que sua imaginação já viu cenas,
já arrumou o set,
já ativou a produção,
e em seu coração o futuro está roteirizado.

Sua vontade é 
soltar os pesos do balão.
Deixá-lo livre infinito a dentro.
A vontade é de correr,
chegar logo,
ver o sonho de perto,
real.
O futuro...
O mais rápido possível!

Não existe nada mais poderoso do que a 
imaginação da gente.
Sonhe muito!
Por incrível que pareça, realizar não é o mais
difícil,
difícil é manter o sonho vivo.
Nunca esqueça disso, a vida é traiçoeira,
dá cambalhota na gente.
Agarre seu sonho!
Ele é real
e o resto, sim,
ilusão.
terça-feira, 8 de novembro de 2011 0 comentários

Questões da humanidade

Ela tinha crescido em meio à novela das oito e aos contos machadianos e rodriguianos.
Ah, Nelson Rodrigues: sexo, amor, traição e tragédia. Quanta tragédia. A dor e a morte anunciadas por questões amorosas.
De repente chega Machado e sua antológica Capitu. Aquela, dos olhos de ressaca. Afinal, ela traiu ou não Bentinho?
Questões da humanidade.
E Luisa então... Pobre burguesa encantada com as peripécias de seu primo Basílio. Traição, traição, traição. Nas novelas, nos filmes.
E aquele que vendeu a mulher por 1 milhão de dólares?
Ambição.
                              Questões da humanidade.
Nosso Vinicius se casou nove vezes e diz que amou a todas intensamente.
             Doce malandro.
“Que não seja imortal, posto que é chama; mas que seja infinito enquanto dure.”               
                                                           Poeta.

Hoje, ela respira fundo. Precisa pensar em poesia antes de cair no abismo que o arrebatamento encerra. Um moço diz que o sentimento é algo como posse. Isso explica. Quanto de posse há na humanidade. Boa ou ruim está intrínseca na maioria dos mortais. Posse caminha ao lado dos outros sentimentos, e ela pensa, pensa, pensa... Termina de ajeitar o cabelo, passa rímel e sai da frente do espelho. Tem a vida inteira pra tentar entender as questões da humanidade.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011 2 comentários

Rasura


Palavra escrita, palavra riscada.
Rasura.
Frase completa. Pensamento incoerente, raciocínio não concluído.
Rasura.
Parágrafo quase inteiro... Do começo de novo.
Rasura.
As palavras não são mais aquela engrenagem que costumam ser.
Não tem mais o peso que costumavam ter.
Rasura.
E eu aqui... Sem ter o que preciso, sem ter o que expressar...
Rasura.
Fraca, frágil, crua, menina.
Rasa.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011 2 comentários

Culpa

É pecado você não saber o que eu sinto, à distância, quando o meu pensamento te toca. Me pego sôfrega e ofegante em todas as partes do dia. Fecho os olhos para encontrar teu sorriso safado indo de encontro ao meu ouvido para sussurrar que eu te enlouqueço, enquanto tento disfarçar o quanto de mim já perdi no desejo de te ter colada ao meu corpo.
Abro os olhos para me perceber lambuzada na magia erótica em que você me aprisionou. Sinto o coração pulsando no lugar errado: muito abaixo do peito; na futura casa teus dedos; no meu lago de pecados sentimentais.
O dia passa, mas não a tua lembrança.
Te carrego nas veias, esquentando o meu corpo, passeando em meu sangue. Suspiro gemidos e saudades. E me arranho o corpo, mordo os meus lábios, esfolo a pele. Simplesmente, enlouqueço nas ilusões táteis dos teus mamilos roçando nos meus.
E toco o meu corpo como se ele fosse intocado. Com a voracidade de quem precisa salvar a própria vida. Tremo como se fossem os teus dedos a invadir o meu corpo. E desabo de cansaço.
Então, sorrio pros teus olhos, à distância, esperando que você receba uma carta de tesão e afeto por telepatia. Descanso o corpo na cama, abraçando o nada. Desejando o teu corpo materializado no meu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011 1 comentários

Ontem

A vontade é o alicerce da vida
E de repente eu senti o alicerce gritar forte.
Ela é mais forte...Ela sempre é mais forte
E quando menos esperei o fogo já estva aceso
Eu me senti novamente perto do fogo
Com a boca seca
Com a mão dormente
Tudo mais colorido...divertido
Vontade de ter amigos queridos por perto...amigos que se foram, que estão viajando, que não conheço...
A vontade é tão forte que aperta a garganta.
E mais fogo, mais fumaça e fome e sono
E vontade de não estar mais sozinha
Cazuza me fez companhia pelas ruas molhadas e com cheiro de verde
Até as ruas secas com cheiro de amarelo
E mais uma vez estava embaixo daqueles arcos que testemunharam tantas aventuras
Arcos que giraram coloridos pra mim essa noite
E as meninas giraram...
Os companheiros de farra giraram
O mundo ficou suspenso, o tempo parou. Cazuza se enganou.
Ele parou eu estava lá!
O cheiro da vontade ficou mais forte
Pra mim tudo nunca é o suficiente
Impossivel viver feliz sempre insatisfeita.
A vontade de ser certinha apareceu, ela não tinha sido convidada
Mas junto com ela veio a vontade de ir embora
Morrendo de medo de se deixar dominar por outras vontades
Elas sempre voltam...
E agora é só esperar...
domingo, 9 de outubro de 2011 0 comentários

cant think


Você me olha e aquela coisa de respirar já não é mais comigo. Presta uma atenção irreal ao que eu falo, os dois olhos fixos em mim e num repente eu me sinto tão interessante que quase não dá pra acreditar. Afinal de contas, você é você.
A inquietude de menina da cidade grande contrastando quase que como mágica com a serenidade do teu jeito de me olhar.
Perco o rumo, as palavras e o assunto. Alguém passa por nós e os meus olhos acompanham numa tentativa de buscar o fôlego pra falar seja lá o que eu estava pensando, mas não consigo mais concluir o raciocínio.
Alguém já te disse que é difícil pensar com você por perto?
 
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